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Indiano cria sistema de combate ao tráfico de animais (31/08/2011)
Contrabandistas de animais ameaçados trabalham em conjunto internacionalmente. Já o mesmo não pode ser dito dos países que tentam combater a captura ilegal de animais. Dessa forma, contrabandistas e comerciantes podem, com frequência, agir sem muitos impedimentos. Mas, no último mês, no Quênia, foi lançado o Wildlife Enforcement Monitoring System (WEMS – sistema de reforço no monitoramento da vida selvagem). O banco internacional de dados foi desenvolvido pelo indiano Remi Chandran, pesquisador vinculado à Universidade de Twente, na Holanda. “O problema era que, em termos de comércio ilegal de animais, não havia nenhum sistema no qual os países pudessem reunir, analisar e trocar informações. Com o Wildlife Enforcement Monitoring System, isso agora é possível”, explica Chandran. Trata-se, por exemplo, de quais e quantos animais foram apreendidos, e onde os fatos aconteceram. Os dados são postos no sistema e podem ser consultados imediatamente. Dessa maneira será mais fácil mapear as rotas de contrabando entre vários países e prevenir o tráfico. Em primeira instância, três países estão conectados ao sistema; são três vizinhos do leste da África: Uganda, Tanzânia e Quênia. Por isso, nos próximos anos, Chandran e seus colegas de Twente vão acompanhar o funcionamento do WEMS. “Se for um sucesso, esperamos que o sistema possa ser aplicado em mais países. Iremos passo a passo”, comenta Chandran, que continua: “Depois talvez seja a vez da Ásia. Isso não será fácil, porque muito comércio ilegal vai justamente para lá. Por isso países asiáticos talvez não estejam tão abertos a trabalhar com o WEMS”. E o temor não é infundado. Na última semana foi realizada, em Genebra (Suíça), a conferência internacional CITES, que trata sobre o comércio de animais e plantas ameaçados de extinção. Lá os países asiáticos também oferecem resistência e não querem, por exemplo, que organizações como o Fundo Mundial da Natureza (WWF) estejam presentes. Os motivos não são claros; talvez pelo fato de um país como a China não querer ser tão abertamente criticado. O comércio ilegal da África para os países asiáticos cresceu muito nos últimos anos e os rinocerontes são os que mais têm sofrido. Seus chifres são levados principalmente para a China, conforme Christian van der Hoeven, do Fundo Mundial da Natureza. “Tem a ver com a demanda. O comércio aumenta se a demanda aumenta. E estamos vendo isso acontecer principalmente em países como a China. Tem a ver com a crescente prosperidade no país. Isso, no entanto, não quer dizer que as autoridades chinesas não façam nada contra o fato, mas é um processo demorado até que as coisas mudem”, fala. O comércio ilegal de marfim estará esta semana entre as prioridades na agenda da CITES. Só na África o volume do comércio de marfim cresceu, de 2005 a 2010, de 620kg para 5,6ton, conforme dados do Kenya Wildlife Service. PRÁTICA RESISTENTE E LUCRO Na internet se pode encontrar pele de animais ameaçados de extinção à venda por grandes somas – inclusive em sites de leilão. De acordo com o jornal indiano The Hindustan Times, a pele de tigre custa US$ 124 mil, enquanto que um tigre empalhado fica em torno de US$ 700 mil. Já a pele de pantera pode ficar entre US$ 100 mil e 300 mil.
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